MINICURSO: Espaços do movimento operário em Porto Alegre (1889-1930)

O minicurso “Espaços do movimento operário em Porto Alegre (1889-1930)” tem como objetivo colocar em debate as formas como a classe trabalhadora se organizou e atuou no espaço urbano da capital do Rio Grande do Sul durante a Primeira República. Este período foi marcado por uma série de processos sociais, econômicos e culturais que mudaram profundamente as formas como a cidade se organizava. Para se ter uma ideia, neste momento o município passou por um intenso crescimento, com uma população que saltou de 50 mil para 250 mil habitantes, com a chegada de ex-cativos e seus descendentes, de migrantes do interior do estado e de imigrantes de diversos países europeus.

Além do aumento da população, ocorreu uma intensificação das atividades econômicas, com a expansão da indústria e do comercio, com a implantação de novas linhas de bondes e com melhorias nos serviços públicos, o que acarretou numa reorganização da classe trabalhadora no território da cidade, com o surgimento (ou expansão) de arrabaldes como São João, Navegantes, Colônia Africana, Bom Fim, Therezópolis, Montserrat, Parthenon, Menino Deus, Floresta, Tristeza, Azenha, Gravatahy e Cidade Baixa.

No âmbito acadêmico, especialmente nas últimas duas décadas, tem se realizado diversos estudos que tem como objeto os espaços de sociabilidade da classe trabalhadora na capital gaúcha, destacando-se, por exemplo, os territórios da população negra no período do pós-abolição, como a Colônia Africana (atual bairro Rio Branco) e dos operários fabris na zona industrial de Porto Alegre, o Quarto Distrito (correspondente, grosso modo, a São Geraldo, São João e Navegantes). Poucos estudos têm sido feitos, entretanto, sobre a organização da classe trabalhadora na cidade, como os locais de reunião e mobilização do movimento operário, por exemplo.

A proposta consiste em analisar os locais onde o proletariado se organizava, quais lugares eram estes (casas particulares, curtumes, hotéis, tavernas, associações étnicas, prédios públicos), quais percursos eram realizados na cidade (como nas caminhadas de 1º de maio ou no aniversário da União soviética). Além disso, também busca-se compreender a dinâmica deste processo ao longo dos anos, como os espaços destas organizações vão ocupando novos lugares e se deslocam à medida que o tempo e as circunstâncias mudam. Para este estudo, parte-se do pressuposto de que o movimento operário e as organizações de classe de modo geral, mudam o espaço da cidade com sua atuação, construindo territórios marcados pela luta contra o mundo burguês e pela solidariedade entre os trabalhadores visando a constituição do novo mundo, elementos fundamentais para a construção da classe.

Por último, cabe ressaltar que um segundo elemento deste minicurso é também colocar em debate este “espaço das organizações de classe” em perspectiva do patrimônio histórico e da memória da cidade de Porto Alegre. A capital gaúcha tem sido marcada, pelo menos no último século, com um processo que consistiu na sistemática expulsão das populações pobres para sua periferia e o esvaziamento dos bairros fabris, com as indústrias sendo deslocadas para as cidades da região metropolitana.

Na última década, tem se intensificado o debate sobre a revitalização do antigo Quarto Distrito e do bairro Floresta, em uma lógica de reaproveitamento do espaço com propostas ligadas à “economia criativa”, mas também com acenos para a gentrificação, especulação imobiliária e apagamento da presença da classe trabalhadora nestes espaços. Por isso é preciso um debate também sobre o patrimônio legado pelos sindicatos, partidos e outras associações, sob o risco de serem apagados para sempre não só da memória, mas também da materialidade do espaço urbano e substituídos por espigões ou shopping centers.

Além deste minicurso, de duas aulas, também vamos organizar uma atividade cultural complementar, uma caminhada desde o antigo Quarto Distrito, até o Parque Farroupilha, passando pelo bairro Floresta e pelo Bom Fim. Neste percurso visitaremos lugares que foram espaços de reuniões e atividades políticas, mas também casas de militantes, espaços festivos e locais de trabalho. Também encontraremos muitos espaços vazios que testemunham o destino da maior parte deste patrimônio. Enfim, uma oportunidade de observar pessoalmente como o legado das organizações operárias sobreviveu em um espaço que tem sido tão hostil a sua memória.

Tanto o minicurso quanto a caminhada ficam a cargo de Frederico Duarte Bartz, Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Técnico em Assuntos Educacionais na mesma Universidade.

O minicurso será gratuito para quem estiver inscrito no evento. Quem desejar participar deverá se inscrever entre 01/07/2018 e 25/09/2018, enviando o nome e filiação institucional para o e-mail: gtmundosdotrabalho@gmail.com

 

 

GT. Minicurso

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